Mauá e Região
Publicado às 9h23 — 8 de março de 2017
Dia Internacional da Mulher: Lutas, conquistas e direitos

Data simboliza momentos históricos de lutas e conquistas por direitos em todo o mundo

Por Vinicius Pinheiro | Portal Mauá e Região
Flattered Woman Smiling --- Image by © Royalty-Free/Corbis

Flattered Woman Smiling — Image by © Royalty-Free/Corbis

O dia oito de Março é celebrado como o ‘Dia Internacional Da Mulher’. A data tem por trás um contexto histórico muito importante de lutas femininas por melhoras nas condições de vida e trabalho, como por exemplo o direito ao voto e melhores condições de trabalho.

Embora existam registros de manifestações de organizações femininas desde o século XIX, tanto na Europa como nos Estados Unidos, quando mulheres já brigavam pela diminuição da jornada de trabalho, que chegava a 15 horas diárias, e equiparação salarial com o homem, o primeiro ‘Dia Da Mulher’ foi celebrado apenas em Maio de 1908, nos Estados Unidos.

Na data, cerca de 1500 mulheres protestaram por igualdade econômica e política no país. No ano seguinte, 1909, um protesto reuniu três mil pessoas no centro de Nova York, e culminou com o fechamento de 500 fábricas americanas, onde além de uma jornada de trabalho abusiva, mulheres ganhavam apenas um terço do salário dos homens, desempenhando a mesma função.

O primeiro oito de Março marcante aconteceu no ano de 1917, na Rússia, quando 90 mil operárias se manifestaram contra as más condições de trabalho, a fome que o povo passava e pela entrada do país na Primeira Guerra Mundial. O protesto ficou conhecido como ‘Pão e Paz’.

As mulheres inglesas tiveram um importante papel na luta por igualdade política. O grupo intitulado ‘Suffragettes’ (Sufragistas) se inspirou nos ideais iluministas de ‘Igualdade, Liberdade e Fraternidade’ para enfrentar o conservadorismo no início do século XX.

O grupo iniciou com protestos pacíficos para brigar pelo direito das mulheres votarem, o que aos olhares da sociedade inglesa da época, era inaceitável, pois as mulheres não teriam capacidade para entender o funcionamento do parlamento britânico.

O movimento ganhou força e às ruas, e passou a ser mais contundente, com greves de fome, e enfrentamento com a polícia, e em 1918 o direito ao voto foi concedido às mulheres na Inglaterra, o que desencadeou uma série de outras manifestações e direitos em todo o mundo. No Brasil, as mulheres conseguiram o direito de votar em 1932, quando o então presidente Getúlio Vargas promulgou a Constituição.

Embora estas e muitos outras datas emblemáticas sobre a luta pelos direitos das mulheres tenha acontecido entre o fim do século XIX e início do século XX, apenas em 1945 foi assinado o primeiro acordo internacional na Organização Das Nações Unidas (ONU) que afirmava princípios de igualdade entre homens e mulheres.

Movimentos feministas começaram a ganhar mais corpo nos anos 60, até a tão famosa ‘Queima Dos Sutiãs’, em 1968, nos Estados Unidos, quando 400 ativistas do grupo Women’s Liberation Movement (WLM) protestaram contra o concurso Miss America.

Entre os motivos para o protesto estavam a opressão sofrida pelas mulheres, a exploração comercial da beleza e do corpo da mulher como objeto sexual. Foram colocados no espaço que aconteceria o concurso centenas de sutiãs, sapatos salto alto, cílios postiços, laquês, maquiagens, revistas, cintos, espartilhos e outros objetos que simbolizavam a “tortura” pelo qual as mulheres eram submetidas a passarem para se enquadrarem nos padrões de beleza.

Após tantos acontecimentos, em 1975 foi comemorado como o ‘Ano Internacional Da Mulher’, e em 1977 a ONU reconheceu o dia oito de Março como o ‘Dia Internacional Da Mulher.

 


Cenário Atual

Embora muito se tenha evoluído ao longo do último século, e as mulheres tenham adquirido importantes conquistas, ainda falta há muitos pontos a serem debatidos, e muito ainda há ser conquistado, como o direito das mulheres se vestirem como quiserem, e poderem andar nas ruas sofrer assédios ou constrangimentos.

Os dados são alarmantes. Segundo um estudo realizado pela importante revista britânica The Lancet, uma em cada 14 mulheres, já foi ao menos uma vez na sua vida, vítima de abuso sexual, porém uma série de questões como o medo de ser responsabilizada, a falta de apoio da família e amigos, e a falta de respaldo de serviços públicos, faz com que poucas mulheres denunciem os abusos.

Outra triste estatística, esta no Brasil, indica que a cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas violentamente. Os números eram piores na da década passada, chegando a oito mulheres agredidas a cada dois minutos, segundo pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo em conjunto com o Sesc.

A Lei Maria Da Penha tem grande responsabilidade nesta diminuição de casos. A lei foi sancionada em Agosto de 2006 pelo então presidente da república, Luiz Inácio Lula Da Silva, e entrou em vigor no dia 22 de Setembro. No dia seguinte, o primeiro agressor foi preso após tentar estrangular a esposa no Rio De Janeiro. A violência doméstica vai muito além de uma “briga de casal”, mas é um problema social que deve ser combatido diariamente por todos, poder público, instituições e os próprios cidadãos.

 
Mauá

A Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher em Mauá está localizada na Rua General Osório, Nº 365, Bairro Vila Bocaina. Na Delegacia Da Mulher é possível fazer Boletins de Ocorrência (B.O), além de investigar e colher depoimentos, solicitar medidas para proteção com urgência ao Poder Judiciário, além de fornecer orientação jurídica e encaminhar para centros de referência da mulher e para a Defensoria Pública. Qualquer mulher, independentemente da idade, pode recorrer à Delegacia da Defesa da Mulher. Para mais informações, o número da Delegacia é (11) 4514-1706.

Outro órgão importante no município é o Conselho Municipal Dos Direitos Da Mulher (CMDM), localizado na Rua Luis Mariani, 96. O CMDM tem o objetivo de fiscalizar políticas aos direitos da mulher, gerando debates e discussões.

Na área da saúde, mulheres podem buscar auxílio em casos de violência sexual no NAVIS (Núcleo De Atenção Á Violência Sexual), localizado na Rua Luiz Laçava, 299. Criado em 2002, o programa dá assistência com acompanhamento profissional às vítimas.

Mulheres ainda ganham menos que homens no mercado de trabalho, mesmo na maioria das vezes, possuindo a mesma escolaridade ou até superior. A participação das mulheres na política ainda é mínima. Muitas vítimas de agressão física ou sexual, por uma série de razões, ainda não têm a coragem de denunciar o abuso. Diversas situações já melhoraram, mas ainda há muito o que mudar e o que se conquistar, e não resta dúvidas que pouco a pouco, o estereótipo infundado de “sexo frágil” vai se perdendo.

Por Leonardo Ratti
Especial para o Portal Mauá e Região

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