Mauá
Publicado às 13h59 — 26 de maio de 2017
Senai de Mauá vai atender demanda do Polo Petroquímico
Por Vinicius Pinheiro | Portal Mauá e Região
polo

Foto: Claudinei Plaza/DGABC

Lançado em janeiro, o curso técnico de Petroquímica surgiu por meio de parceria entre a Escola Senai de Mauá e o Cofip ABC (Comitê de Fomento Industrial do Polo do Grande ABC), visando criar uma grade curricular que atenda as demandas do setor na região. Ontem, porém, durante o 3º Seminário Dia da Indústria, foi selado acordo que prevê que o conteúdo da sala de aula atenderá a demanda do Polo Petroquímico da cidade.

“Nosso objetivo é fazer um trabalho alinhado com as necessidades das indústrias”, afirma a coordenadora de atividades pedagógicas do Senai de Mauá, Cláudia de Britto. “Os alunos também estão tendo a oportunidade de visitar empresas da região para acompanhar como é a realidade do setor”, acrescenta.

Claudia explica, ainda, que outros objetivos, como a geração de valor e a disseminação de inovação também estão sendo aplicados aos estudantes. “É importante pensar na formação e no perfil dos profissionais que atuarão em 2020 ou 2030”.

A diretora da Agência de Inovação da UFABC (Universidade Federal do ABC), professora Anapatrícia Morales Vilha, aponta que um dos maiores problemas atuais do Grande ABC é “a desarticulação entre empresas e universidades”. “A indústria ganha contato com a base de conhecimento de fronteira e tem acesso a pesquisadores, enquanto para universidade isso significa obtenção de recursos e acesso aos conhecimentos aplicados”, completa.

No entanto, esta relação possui alguns percalços para se concretizar, o que exige compreensão de ambas as partes. “Elas (as universidades e as indústrias) possuem diferentes metas temporais. Na maioria das vezes, um estudo na universidade tem um prazo ‘a perder de vista’, enquanto que as empresas possuem prazos mais apertados, como de apenas alguns meses”, exemplifica.

Ainda durante o evento, foram discutidas maneiras de prolongar a vida útil do Polo Petroquímico de Mauá, que terminará em 25 anos se mudanças não forem implementadas, conforme publicado pelo Diário, na quarta-feira. Vale lembrar que o complexo representa 70% do valor agregado da cidade e emprega 10 mil pessoas, tanto direta quanto indiretamente.

O gerente executivo da Cofip ABC, Francisco Ruiz, afirma que a entidade possui como meta alcançar o desenvolvimento socioeconômico do setor na região de maneira sustentável, pensando “na segurança do meio ambiente, nas relações institucionais e nas sinergias, o que significa ganhos de eficiência e geração de lucro”. Como exemplo da colaboração das indústrias do ramo para efetuar compras, ele conta que, neste ano, as companhias se juntaram para comprar papel sulfite e, com isso, foram reduzidos os custos com este material em 14%.

SOBREVIDA – Anapatrícia destaca que o desenvolvimento de uma cadeia colaborativa é uma das saídas para aumentar a longevidade do Polo. “É necessário conectar os atores disponíveis na região (tecnológicos e inovativos), condensar os objetivos setoriais, adensar no sistema científico (parcerias com universidades, como a UFABC, Engenharia Mauá e Universidade Municipal de São Caetano), além de políticas públicas locais de incentivo à competitividade e inovação”.

A professora ainda ressalta que uma estrutura ideal para aglomerações deste porte seria “alinhada às expectativas e aos objetivos dos envolvidos, com uma comunicação adequada e uma governança sobre os processos colaborativos, traçar metas claras e, o mais importante, reduzir comportamentos oportunistas e individualistas”.

Quanto à crise econômica, o presidente do Cofip ABC, Claudemir Peres, afirma que ela gera oportunidades, como olhar para dentro das organizações e analisar os caminhos para o futuro. “Uma vez que o mercado interno está desaquecido, é necessário inserir-se em cadeias globais, buscando exportar”, sugere Anapatrícia.

Núcleo mauaense contrasta com gaúcho
Como pioneiro no Brasil, criado em 1972, o Polo Petroquímico de Mauá ‘pagou o preço’, conforme explica o diretor administrativo do Cofip RS (Comitê de Fomento Industrial do Polo do Rio Grande do Sul), Sidnei Anjos. “Este polo foi construído no perímetro urbano, acarretando em questões ambientais e de espaço jamais imaginadas”, assinala. “A região como um todo desenvolveu-se de acordo com a urgência do País, sem muito planejamento.”

Anjos ressalta, porém, que existe forte vantagem. “Ele (o Polo Petroquímico de Mauá) fica próximo às matérias-primas e ao mercado de consumo.”

Já o Polo Petroquímico de Triunfo, iniciado em 1982, é localizado em uma área isolada, com alto potencial de crescimento, entretanto, “toda a matéria-prima vem de outras cidades ou Estados e, de toda a produção, apenas cerca de 40% ficam nesta região”, explica.

O complexo gaúcho gera trabalho para 8.000 pessoas e possui dez empresas, além de compor o terceiro maior PIB (Produto Interno Bruto) do Estado, faturando cerca de R$ 15 bilhões por ano. O mauaense, por sua vez, tem receita de R$ 8,6 bilhões, 11 companhias e emprega 10 mil pessoas.

Por Flavia Kurotori – Especial para o Diário

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