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Publicado às 11h46 — 24 de junho de 2016
Caio Evangelista entrevista ator

Juliano Cazarré fez Boi Neon no cinema

Por Leonardo Ratti | Portal Mauá e Região

Face A Face

O ator Juliano Cazarré, já conhecido pelo grande público, arrasa no cinema em Boi Neon, filme que arremata prêmios pelo mundo e no teatro, ao lado de Maria Luiza Mendonça, não deixa pedra sobre pedra na pele de Stanley, papel que foi vivido no cinema por Marlon Brando em ‘O Bonde Chamado Desejo’. Cazarré está Face a Face com Caio Evangelista.

Caio: E então Cazarré como é que você iniciou sua carreira artística?

Juliano: Eu me formei em interpretação teatral pela Universidade de Brasília e me joguei sempre que era chamado para uma peça, vídeo, filme, etc. Inicialmente nunca escolhi bem, se me chamavam eu ia lá e fazia. Depois tive a sorte de trabalhar com grandes diretores e são eles que na verdade nos ensinam o ofício.

 

Caio: E sua carreira no cinema? Gostei muito de você em ‘Serra Pelada’ e ‘Boi Neon’, principalmente nesses.

Juliano: Maravilha que gostou. Então, grandes diretores como Fernando Meirelles me deram essa oportunidade. Em ‘Serra Pelada’, o Heitor Dhalia me deu meu primeiro protagonista, mas já tinha feito outros de destaque.

 

Caio: E o que mais te espanta?

Juliano: Eu me espanto, mas também me alegro com ‘Boi Neon’, de Gabriel Mascaro. Ganhar tantos prêmios em diversos festivais mundo afora. Mas o Cunha e o Bolsonaro me espantam mais.

Caio: Você diz o Eduardo Cunha?

Juliano: Pois é!

Caio: E televisão, você tem estado numa novela após outra.

Juliano: Isso. Na televisão já atuei em quatro novelas e três minisséries. Em ‘Avenida Brasil’, 2012, vivi o Adauto, que era ingênuo, depois o rastafári Ninho, em ‘Amor à Vida’, de Walcyr Carrasco, que teve duas fases bacanas e recentemente o Mc Merlô, em ‘A Regra do Jogo’.

Caio: E ai bateu saudades do Teatro?

Juliano: Porra, claro! E então veio o convite para substituir o Du Moscovis e então foi aquela empatia, o papel foi feito pra mim, fiquei muito feliz com o convite para interpretar Stanley Kowalski, principalmente ao lado de Maria Luísa Mendonça, que é maravilhosa.

Caio: Você tem uma carreira como ator, com uma tendência a fazer papeis sexualizados, digamos, que faz valer o uso do corpo, a nudez, a sensualidade.

Juliano: Para mim, normal.

Caio: Inclusive em ‘Boi Neon’, pelo fato de ser um vaqueiro que costura, sugere de cara, que ele poderia ser gay, mas acaba em uma cena muito real de sexo com personagem feminina.

Juliano: Pois é, loucura né?!. Mas não é real, é quase.

Caio: HAHAHHAHAHAH como é quase?

Juliano: Quase lá.

Caio: Entendi. Se não tivesse equipe filmando. kkkkk. E como está a peça? Tira a roupa também?

Juliano: O Stanley é um cara durão, meio misógino, tem uma tensão sexual, psicológica, ele quer tirar a roupa da cunhada Blanche, seja desnudando fisicamente ou derrubando as mentiras dela e eles acabam sendo viscerais, intensos. Vale muito a pena ver.

Caio: Sim, vale muito, eu sou testemunha. Fale mais sobre isso, dê o serviço.

Juliano: Poxa você é esperto hein Caio, rsrsrs, vamos lá, Eu já digo de horários, dias e tudo mais aqui?

Caio: Acho bom.

Juliano: ‘Um Bonde Chamado Desejo’ é uma história criada por Tennessee Williams, que narra a decadência de Blanche Dubois, que se abriga na casa da irmã Stella para fugir do passado e se depara com seu vulgar cunhado Stanley. Marlon Brando e Jessica Tandy interpretaram, em 1947, na Broadway.

Caio: O texto ganharia notoriedade mundial no cinema, quatro anos depois, quando o mesmo Kazan dirigiu a adaptação cinematográfica com Brando e Vivian Leigh nos papéis principais. Na Biografia de Marlon ele acabou transando com Vivian Leigh, você…

Juliano: Hahahah. Vamos fincar na trama. Então, A sonhadora e atormentada Blanche DuBois muda-se para a casa da irmã, Stella, para logo entrar em violento embate com a brutalidade de seu cunhado, Stanley. Na tensão entre a carnalidade bestial de Stanley e o espírito etéreo de Blanche, ergue-se a mais pungente e bela metáfora do duelo entre o sonho e a realidade, entre a alma e o corpo, que o teatro já produziu.

Caio: Falou bonito agora.

Juliano: Obrigado. E vai ver novamente.

Caio: Ainda não acabou. Perguntinhas rápidas.

Juliano: Bora.

Caio: Para quem você diz sim?

Juliano: Para a arte, o teatro, o cinema, para os escritores, nós todos.

Caio: E não?

Juliano: Bolsonaro, Cunha, Feliciano, a corja toda.

Caio: Você cuspiria?

Juliano: Não gastaria minha saliva.

Caio: Qual seu sonho a ser realizado?

Juliano: Desejo um Brasil com mais educação e cultura, desenvolvimento humano e que as novas gerações possam sonhar, viver sem preconceitos e pensamentos extremos, que geram violência, desamor, eu sonho com um pais com mais arte e menos guerra de ódios.

Caio: Você acha que o Brasil está dividido? Acha que está fazendo o povo brigar, se cuspirem, se destruírem enquanto uma classe vai pra Miami?

Juliano: Sem dúvidas. Vamos terminar de conversar após você ver novamente a peça. E agradeço a oportunidade Caio.

Caio: Eu que agradeço, parabéns pelo seu trabalho, cada vez maior como artista excelente escolha o texto e o personagem. Falamos mais então.

Juliano: Um beijão para os leitores da Revista e até lá na peça! Valeu!

Serviço:

Um Bonde Chamado Desejo

Teatro Tucarena (300 lugares)

Rua Monte Alegre, 1024 (entrada pela Rua Bartira) – Perdizes

Informações: 3670.8455 / 8454

Bilheteria: De terça a sábado, das 14h às 19h. Estacionamento conveniado: R$ 14 (Rua Monte Alegre, 835/ mediante apresentação do ingresso do espetáculo).

Valet Estapar: R$ 25 (somente sábados e domingos)

Vendas: 4003.1212 e www.ingressorapido.com.br

*Alunos e professores da rede pública de ensino municipal, estadual e federal, têm 70% de desconto (do valor inteiro) em qualquer sessão, nunca ultrapassando 10% da lotação. Vendas somente na bilheteria do TUCA, com apresentação da carteirinha ou documento emitido pela instituição*

Sexta às 21h30 | Sábado às 21h | Domingo às 18h

Ingressos: Sexta R$ 50 | Sábado e Domingo R$ 70

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