Mauá
Publicado às 8h57 — 18 de outubro de 2016
Técnicos do Nardini cruzam os braços
Por Vinicius Pinheiro | Portal Mauá e Região
Foto: André Henrriques/DGABC

Foto: André Henrriques/DGABC

Funcionários da área de radiologia do Hospital de Clínicas Dr. Radamés Nardini, gerido pela Prefeitura de Mauá, paralisaram as atividades na manhã de ontem. De acordo com os 16 contratados pela terceirizada SPX Diagnósticos por Imagem, os salários estão atrasados há cinco meses. Serviços como ultrassom, tomografia, raio X e centro cirúrgico foram afetados, prejudicando o atendimento da população.

A equipe do Diário foi impedida de entrar no centro de Saúde, mas constatou a superlotação no espaço, além de grande número de pacientes deixados em macas nos corredores. Munícipes com cirurgias agendadas tiveram os procedimentos remarcados e aqueles que necessitavam de exames e não estavam internados foram encaminhados paras as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) Barão de Mauá e Vila Assis.

Por conta da falta do serviço de raio X, a cozinheira Maria Ferreira, 48 anos, teve que se dirigir até a UPA Barão de Mauá para realizar o exame. “Cheguei às 8h (no Nardini), fiquei duas horas esperando, para me falarem que não seria possível fazer o exame”, salienta. “Está um caos lá dentro. Tem muita gente de muleta e cadeira de rodas, que vai ficar sem atendimento.”

Com infecção urinária, a filha da dona de casa Célia Maria Lamim, 56, está internada no hospital desde o dia 11, e ainda não conseguiu realizar ultrassom. “Está cada dia pior. Escuto comentários de outras pessoas internadas relatando o mesmo problema.”

Vítima de AVC (Acidente Vascular Cerebral), a avó de Gabriela dos Santos está internada desde sexta-feira e ainda aguarda por tomografia. “Minha esperança era a de que realizassem o exame hoje (ontem). O estado dela está crítico, não podem deixá-la desse jeito”, desabafa a cabeleireira. “Além da precariedade do serviço, não alimentaram minha avó, que depende de sonda.”

“Tenho família para sustentar. Quem quer trabalhar de graça? Só queremos receber pelo que trabalhamos. É um direito nosso”, comenta funcionária que pediu anonimato.

Por volta das 11h, os trabalhadores se reuniram com o presidente da SPX Diagnósticos por Imagem, Valter Alexandre Luchetta, e com a superintendência do hospital. Os trabalhadores concordaram em voltar às atividades a partir da promessa de que o salário seja pago. Os pagamentos começaram a ser efetuados no fim da tarde de ontem.

Conforme o Sintaresp (Sindicato dos Tecnólogos, Técnicos e Auxiliar em Radiologia de São Paulo), a FUABC (Fundação do ABC) não efetua os repasses referentes ao serviço prestado pela terceirizada há cinco meses. “Queremos que o serviço seja mantido, sem atrapalhar o atendimento. Mas (a paralisação) é um direito que precisa ser preservado”, avaliou o porta-voz do sindicato Mário Cesar Mandoca.

Por meio de nota, o Hospital Nardini informou que o problema foi motivado pela falta do pagamento por parte da empresa aos seus funcionários e que a situação foi normalizada no período da manhã. A Prefeitura não esclareceu, no entanto, o motivo do atraso dos repasses à SPX Diagnósticos por Imagem.

OUTROS PROBLEMAS

Outro fator que atrapalha o atendimento são as obras de ampliação do hospital, que deveriam ter sido entregues em maio, conforme mostra a placa em frente à unidade. Foram investidos R$ 5 milhões. “Muitos cadeirantes têm dificuldade de acesso por causa das obras”, comenta Edivina Maria da Silva, 59. As intervenções do pronto-socorro têm previsão de término para dezembro.

Por Leonardo Santos – Especial para o Diário

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