Mauá e Região
Publicado às 9h12 — 22 de dezembro de 2016
Desemprego toma conta das sete cidades
Por Vinicius Pinheiro | Portal Mauá e Região

desemprego

As notícias de fim de ano não são animadoras para o Grande ABC. Em novembro, o saldo de pessoas desempregadas subiu para 227 mil, 5.000 a mais do que o número registrado em outubro, elevando a taxa de desemprego da população ativa para 16%. Os dados foram revelados ontem pela mais recente edição da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego), realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese, em parceria com o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. A análise leva em conta qualquer tipo de ocupação, registrada ou não.

Na comparação mensal deste ano, o índice volta a subir e alcança patamares registrados em setembro. Em outubro, a taxa havia apresentado pequeno recuo, ficando em 15,5%, praticamente estável em comparação aos 16% de setembro. A taxa alcançou patamares maiores entre os meses de março e agosto. Em maio, por exemplo, o índice bateu o recorde anual, com 17,1% (veja gráfico ao lado).

A conta negativa é reflexo do fechamento das vagas no setor de serviços (-2,4%, ou eliminação de 16 mil postos de trabalho) mais ligados às empresas como transporte, armazenamento, atividades financeiras e telemarketing. Questionado se essa diminuição no quadro de funcionários é estratégica por parte das companhias, já que, no início do ano, paga-se tributos e as despesas aumentam, o economista do Dieese, César Andaku, diz não descartar essa hipótese. No entanto, acredita que a crise econômica seja a grande culpada. “Como o Grande ABC ainda é bastante industrial em comparação ao restante da Região Metropolitana, acaba sofrendo muito com essa crise nacional. Afinal de contas, são nas indústrias que se recebem os maiores salários. Se esse setor vai mal, os demais sofrem junto. É como uma escada e todos caem”, exemplifica.

Outro setor que contribuiu para que o contingente de pessoas sem ocupação crescesse em novembro foi o da indústria metalmecânica (que desenvolve, por exemplo, máquinas e equipamentos), que teve queda de 6,2% dos postos de trabalho, ou seja, menos 7.000 vagas. Neste período em 2014, esse setor em específico empregava 176 mil pessoas. O mês desta temporada contou com perda de cerca de 70 mil trabalhadores, redução que beira 40% dentro da série histórica da pesquisa.

Alguns setores chegaram a contratar em novembro, como é o caso do comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (que cresceu 0,9%, o que significa geração de 2.000 postos de trabalho), e indústria de transformação (alta de 0,4%, ou 1.000 vagas) – com exceção da já citada área de metalmecânica.

O economista do Dieese explica que esses são setores que ficam mais aquecidos com a chegada de fim de ano. “No entanto, mesmo esses segmentos empregando, o cenário ficou aquém da expectativa, mantendo nível de empregabilidade ainda baixo. Esse cenário nos remete a projeções para os próximos meses pouco animadoras, já que muitas pessoas que conseguiram uma colocação no mercado neste fim de ano têm contrato temporário.”

SALÁRIOS

Ainda segundo a pesquisa, entre setembro e outubro, variou negativamente o rendimento médio real dos ocupados (-0,4%) e cresceu o dos assalariados (1%), que passou a equivaler a R$ 2.052 e R$ 2.164, respectivamente. Além disso, no mês passado a média de horas semanais trabalhadas permaneceu estável entre ocupados (40 horas) e assalariados (41 horas). A proporção dos que trabalharam mais de 44 horas semanais diminuiu de 26,3% para 23,6%.

Por Tauana Marin – Diário do Grande ABC

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