Mauá e Região
Publicado às 9h14 — 22 de dezembro de 2016
Jovem perde olho atingido por bala de borracha
Por Vinicius Pinheiro | Portal Mauá e Região

jovem

“Terei que carregar essa cicatriz para o resto da vida”. É assim que Wellington Rodrigues Alves Pereira, 29 anos, resume o fato que há dois meses mudou sua vida para sempre. Pereira levou um tiro de bala de borracha de um policial militar no rosto, o que resultou na perda do globo ocular direito, quando se encontrava numa festa dentro de um bar em Santo André.

O fatídico acontecimento que marcou o destino do rapaz se deu no dia 16 de outubro deste ano. Pereira estava em um bar festejando a vitória do time de seu bairro, o Colorado, que conseguira alcançar a final de um campeonato. Junto da comemoração dos amigos do time, um grupo de samba também tocava, o que contribuiu para que a rua ficasse intransitável com o número de pessoas.

“A polícia já chegou atirando bombas de gás lacrimogêneo. Foi tudo muito rápido. As pessoas começaram a correr”, contou Pereira. “Eu estava sentado dentro do bar, quando eu me levantei para ver o que estava acontecendo, um dos policiais atirou em mim. Ele atirou na primeiro lugar em que mirou.”

Nessa hora o jovem não se lembra mais de nada, só que caiu quando perdeu os sentidos. Segundo Pereira, os policiais que estavam na ação não apareceram para prestar qualquer tipo de atendimento e foram seus próprios amigos que levaram o rapaz até a UPA do Jardim Santo André, onde recebeu os primeiros socorros. Com medo de represálias dos agentes da PM, tanto Pereira quanto seus amigos e familiares decidiram deixar a UPA e dirigirem-se até ao CHM (Centro Hospitalar Municipal) da cidade.

“Hoje tenho vergonha de sair de casa. Me sinto muito triste e não consigo mais fazer nada direito”, desabafa. Pereira tinha uma vida normal para um jovem de 29 anos. Trabalhava como eletricista de ponte rolante, frequentava academia e saia com os amigos. Hoje o rapaz teme perder o emprego e já encontra dificuldade de receber o auxílio-doença, benefício que supria algumas necessidades.

Pereira ainda terá que encarar mais duas cirurgias, a primeira servirá para reconstruir a pálpebra e a segunda para inserção de uma prótese.

O rapaz efetuou um B.O (boletim de ocorrência) que foi registrado como “lesão corporal de natureza gravíssima” no 6º DP (Vila Luzita) de Santo André. Segundo consta no documento policial, os agentes que atuaram na dispersão da festa naquela data ainda tentaram persuadir amigos e parentes de Pereira para que dissessem que ele tinha sido atingido por uma pedra.

Por meio de nota, a Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo informou que o caso é investigado pela Polícia Militar, pela Polícia Civil e que um inquérito foi instaurado no 6º DP da cidade. Os agentes da PM serão ouvidos, porém a Secretaria não revelou quando isso irá acontecer.

Pereira, por sua vez, já foi ouvido e encaminhado para a realização de exames no IML (Instituto Médico Legal) para comprovar se a lesão ocorreu por conta da bala de borracha. O jovem também foi encaminhado para a Corregedoria da PM onde deu seu relato. O fato se encontra em apuração tanto pela PM quanto pela Corregedoria.

“Os policiais que agiram naquela noite estão por aí, com saúde, com a visão. Eu só quero que a justiça seja feita e que os policias arquem com a responsabilidade”, relatou.

Por Daniel Tossato – Do Diário OnLine

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