Rio G. da Serra
Publicado às 10h10 — 18 de setembro de 2017
Rio Grande sofre com falta de infraestrutura
Por Vinicius Pinheiro | Portal Mauá e Região

rio grande

Se locomover por Rio Grande da Serra por meio do transporte coletivo municipal não tem sido tarefa fácil para moradores. Sem terminal rodoviário e com apenas oito opções de linhas para percorrer a cidade, usuários precisam aguardar por até 50 minutos pelo embarque, o que os obriga a percorrer longas distâncias à pé.

Com frota de apenas 22 veículos, a Viação Talismã – empresa responsável pelo transporte de ônibus em Rio Grande até 2025 –, desagrada a comunidade. “Durante a semana você chega a esperar uma hora para pegar o ônibus. É muito tempo. O meu, por exemplo (Linha Caracu), passa às 17h10. Se perco esse, o próximo só vai passar às 18h10. Tem dia que vou à pé para casa, pois chego mais rápido”, relata a empregada doméstica Elisângela Aparecida Santana, 41 anos.

Em visita feita durante a semana ao município, a equipe do Diário notou que a falta de infraestrutura para acessar o Transporte público de Rio Grande da Serra tem feito com que moradores deixem o sistema de ônibus municipal como segunda opção. “Falta investimento. Você paga R$ 3,80 para ficar em pé e ainda por cima tem pouco ônibus. Se estou com mais alguém prefiro voltar do trabalho à pé, porque demoro 30 minutos e não gasto”, destaca a auxiliar de administrativo e financeiro, Mara Rose, 46.

Embora tenha média mensal de 200 mil passageiros, Rio Grande da Serra ainda carece de estrutura de terminal rodoviário. Quem sai da estação da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), instalada no Centro da cidade, e deseja acessar linhas municipais é obrigado a aguardar pelos coletivos de forma improvisada em dois abrigos instalados na Estrada Guilherme Pinto Monteiro.

“Tudo bem que Rio Grande é um município pequeno, mas não ter terminal é uma situação deplorável. Como essa região onde os pontos estão instalados é aberta, em dias de chuva e frio é quase impossível ficar aqui a céu aberto”, relata o ajudante geral Rafael Diniz, 29.

Em 2013, a Prefeitura de Rio Grande da Serra chegou a iniciar tratativas com diretores da EMTU (Empresa Metropolitana de Transporte Urbanos) para pedir a adesão ao programa Propolos – criado com base nas premissas do Sivim (Sistema Viário de Interesse Metropolitano) – que tinha objetivo de implantar um terminal rodoviário no município. No entanto, até o momento o projeto não avançou.

Existe expectativa para que a reforma da Estação de Rio Grande da Serra contemple a construção de um terminal, porém o projeto segue sem prazos.

“Temos muitas dificuldades no município. Não recebemos subsídio da Prefeitura para custeio da nossa operação. Para agravar a situação, nós temos tido, por dia, 2.200 acessos de estudantes que são contemplados com a gratuidade, número que tem causado certo desequilíbrio nas contas. É preciso avaliar o sistema de gratuidades, incluindo o de idosos, para que possamos pensar em investimentos”, destaca o sócio-proprietário da Viação Talismã, Leandro Ricardo Pereira.

Procurada para comentar os problemas relatados pelos passageiros do sistema de ônibus municipal, a Prefeitura de Rio Grande da Serra não retornou aos contatos feitos pela equipe do Diário até o fechamento desta edição.

ENCERRAMENTO
O diagnóstico do sistema de Rio Grande da Serra é o último realizado pelo Diário na série de reportagens sobre o raio-x do transporte de ônibus nas sete cidades do Grande ABC.

Justiça proíbe embarque de passageiros na Rigras
A Viação Talismã conseguiu na Justiça o direito de exclusividade no transporte de passageiros em Rio Grande da Serra. A briga jurídica que se arrastava desde 2011 garante a viação que a Rigras – empresa que possui linhas intermunicipais no município – não faça embarque de passageiros na cidade.

“Estávamos tendo uma concorrência desonesta, pois eles invadiam nosso território”, explica o sócio-proprietário da Viação Talismã.

Com a medida, passageiros alegam que o serviço de transporte apresentou piora. “Antes tínhamos duas opções, agora não. Além disso, se vou para Ribeirão Pires pago mais caro”, relata a estudante Jeniffer Martins, 23 anos.

Em virtude da decisão, desde março passageiros de Rio Grande contam com tarifa integrada entre ônibus intermunicipais operados pela Rigras e a Viação Talismã.

A tarifa integrada só pode ser paga com o Cartão BOM. A medida possibilita que passageiros paguem o valor de R$ 4,20 para usar os dois serviços. A integração pode ser feita num período de 120 minutos (duas horas).

Por Daniel Macário – Diário do Grande ABC

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