Mauá e Região
Publicado às 10h44 — 11 de janeiro de 2017
Diesel sobe R$ 0,10 nos postos da região
Por Vinicius Pinheiro | Portal Mauá e Região
diesel

Foto: Anderson Silva/DGABC

Os motoristas de ônibus ou caminhão, além de alguns modelos de SUVs, já podem perceber, ao abastecer o veículo, que o preço do óleo diesel está, em média, R$ 0,10 mais caro nos postos do Grande ABC. Isso porque, na sexta-feira, a Petrobras anunciou aumento de 6% nas refinarias.

Agora, o valor do combustível na região gira em torno de R$ 3 a R$ 3,09 para o diesel S-500 comum – usado em veículos mais antigos –, e de R$ 3,19 a R$ 3,29 para o S-100 comum – voltado àqueles fabricados de 2013 para cá –, conforme informações do Regran (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Grande ABC).

Desde que a Petrobras lançou mão de nova política de balizamento dos preços dos combustíveis nas refinarias, em meados de outubro, divulgando a cada 30 dias atualização de valores que acompanham a tendência do mercado internacional, o custo do diesel já subiu R$ 0,20 na bomba.

“Essa política veio em uma hora errada, bastante equivocada. A economia, do jeito que está, não permite mais aumentos. A Petrobras abre a torneira de reajustes sem critério. Tinha que ser formado um comitê para avaliar cada incremento e cada redução, para que cada movimento fosse justificado”, afirma o presidente do Regran, Wagner de Souza. “Do jeito que está, o consumidor segue sendo prejudicado, tanto para encher o tanque do seu carro ou para se locomover com o transporte público, como pelos preços dos produtos que compra no supermercado, que chegam mais caros às prateleiras pelo gasto com logística.”

Um dos principais reflexos desse aumento, de fato, está nos custos das empresas de transporte público, que o absorvem e, em determinado momento, as prefeituras repassam a correção nos preços das tarifas. Conforme projeções da Aesa (Associação das Empresas do Sistema de Transporte de Santo André), somente esse incremento de R$ 0,10 gera desembolso adicional de R$ 600 por mês a cada um dos cerca de 1.400 ônibus em circulação nas sete cidades. O que, em um ano, propiciará dispêndio extra de R$ 10 milhões.

“O consumo é astronômico. As empresas de ônibus pediram reajuste no início de novembro, mas o valor logo fica defasado e sequer cobre os desembolsos com insumos e salários. Mas, nas cidades em que já houve aumento da tarifa, como em Santo André (ao passar de R$ 3,80 para R$ 4,20), não se pode onerar a população novamente, que eventualmente mal-interpreta esse incremento. A Petrobras precisa fazer um rearranjo de caixa sem repassar mais esse aumento ao consumidor”, avalia o gerente geral da Aesa, Luiz Marcondes de Freitas Júnior.

Ele aponta, porém. que o combustível é apenas um dos fatores que compõem o preço da passagem. A saída, portanto, no que tange às empresas, é racionalizar o uso para adequar os gastos e não penalizar o serviço nem o usuário. Segundo Marcondes, a renovação da frota de veículos por modelos mais novos e que consumam menos já tem sido feita.

No entanto, ainda é preciso haver revisão estrutural. “O sistema de transporte de Santo André possui 25% de gratuidade. Significa dizer que uma em cada quatro pessoas não paga para andar de ônibus. A gratuidade para estudantes cadastrados passou de 10 mil em 2014 para 34 mil em 2016. Assim, a conta não fecha.”

São Bernardo e Diadema vão subir tarifa

No Grande ABC, as prefeituras de São Bernardo, Diadema e Rio Grande da Serra ainda não anunciaram os valores de correção da tarifa de ônibus.

A administração diademense apontou que tem deixado claro que concorda com a elevação do preço da passagem, e que está sendo concluído estudo técnico que irá determinar o novo valor. Quanto ao aumento do diesel, destacou que este é apenas um dos custos das empresas de ônibus, mas que existem outros, também importantes, como o dissídio coletivo, as peças e os pneus. “Em Diadema, por exemplo, as duas concessionárias (Mobibrasil e Benfica) são responsáveis pela gratuidade de 195.492 viagens, todos os meses, dos 4.443 portadores de passe livre estudantil”, assinalou, em nota. “A Prefeitura de Diadema vem solicitando, também, que as empresas de ônibus ofereçam serviços de melhor qualidade aos usuários, como limpeza, TV embarcada, wifi, renovação da frota e respeito ao cumprimento de horários de intervalos.”

A gestão são-bernardense afirmou que “está sendo feita análise da composição da tarifa, para que, posteriormente, outras decisões sejam tomadas, inclusive o aumento da mesma”. A rio-grandense não se pronunciou até o fechamento desta edição.

Além de Santo André, outras duas cidades já reajustaram suas passagens. São Caetano e Ribeirão Pires ampliaram, respectivamente, de 3,70 para R$ 4,10 e de R$ 3,50 para R$ 3,80.

Em Mauá, no dia 4 foi revogado decreto que aumentava o valor da tarifa. Com isso, o preço da passagem do ônibus na cidade continuará a ser de R$ 3,80. Questionada, a Prefeitura não respondeu até o fechamento desta edição se pretende ampliar o valor por conta do aumento do diesel.

Por Soraia Abreu Pedrozo – Diário do Grande ABC

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