Mauá
Publicado às 10h11 — 15 de maio de 2017
Ex-policial que matou jovem em casa noturna é condenado
Por Vinicius Pinheiro | Portal Mauá e Região

O ex-policial militar Rudinei Dias Morini Júnior, 31 anos, foi condenado a pena de 16 anos em regime fechado pelo homicídio de Rafael Mendes Caetano, 23, morto em outubro de 2014 ao ser jogado do mezanino de uma casa noturna em Mauá. O tribunal do júri realizado durante quase 12 horas ontem, no Fórum da cidade, julgou o réu – que não poderá recorrer em liberdade – culpado.

Juntamente com ele seria julgado Fábio Felix de Abreu, que também foi expulso da corporação. Por questões processuais, já que uma testemunha não compareceu e foi solicitado prazo pela defesa, o júri deve ser realizado dia 30.

Na decisão, o juiz Marcos Alexandre Santos Ambrogi considerou que, além da perda de uma vida, o caso gerou danos à imagem da corporação. “Não pode um policial agir da mesma maneira do que aqueles que combate no dia a dia. Em situação de pequeno conflito, os policiais poderiam ter deixado o fato de lado e aproveitado a comemoração. Mas, não, em ato de força, em mostrar que quem mandava ali eram eles, o acusado deixou de lado cuidados da profissão e o controle mental”, leu o juiz.

A família da vítima recebeu a notícia com alegria. “É meu presente do Dia das Mães. Hoje (ontem) saio daqui mais leve. É uma grande vitória para todos nós”, afirmou Maria José Mendes Caetano, 57, mãe da vítima, entre lágrimas. Ela preferiu não assistir ao julgamento e aguardou do lado de fora. Irmão do rapaz assassinado, Thiago Mendes Caetano, 30, depôs como testemunha e demonstrou alívio com a sentença. “É um primeiro sentimento de que a Justiça foi feita, principalmente para aqueles que se acham acima da lei. Desejo que todas pessoas que passarem por um momento assim tenham forças, porque é muito triste perder alguém.”

O julgamento foi marcado por clima tenso entre acusação, feita pelo MP (Ministério Público), e defesa do réu, sendo que os jurados precisaram ser retirados do tribunal uma vez por causa de discussão. As imagens do estabelecimento, que mostram o momento em que Rafael é arremessado, foram exibidas diversas vezes por ambas as partes.

Além de Thiago, duas testemunhas, que estavam com a vítima no local, confirmaram a versão de que a frase “quer uma bebida, parça?” foi respondida com agressividade pelo grupo, que segurou o jovem e o espancou. Houve duas tentativas de jogá-lo do local, sendo que na segunda ele caiu.

A alegação da defesa do ex-policial é que ele, que aparece no vídeo puxando a vítima pelo pescoço, teria agido para impedir que o rapaz caísse. Porém, a acusação feita pelo promotor de Justiça Claudio Henrique Bastos Giannini chamou a atenção para o fato de o réu ter feito “alavanca” em direção ao vão onde Rafael foi jogado, de uma altura de pouco mais de três metros. Inclusive, quando questionado sobre o movimento, Rudinei, por orientação dos advogados, optou por não responder as perguntas. Ele permaneceu a maior parte do tempo de cabeça baixa. Os familiares dos dois réus preferiram não se pronunciar. Inquérito que indiciou cinco pessoas foi desmembrado em três processos em segredo de Justiça. O MP entrou com recurso para reverter absolvição de dois deles.

Por Yara Ferraz – Diário do Grande ABC

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