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Publicado às 9h53 — 29 de agosto de 2017
Prosa de peão, de Jerônimo de Almeida Neto

A coluna tem a satisfação de apresentar a entrevista com o escritor Jerônimo de Almeida Neto, autor do recém-lançado “Prosa de peão”, publicado pela Coopacesso.

Por Sérgio Simka | Portal Mauá e Região

LIVRO

Fale-nos sobre você.
Eu nasci em Santo André-SP, em 1957. Filho de migrantes nordestinos recém-chegados a Santo André, em busca de trabalho. Iniciei meus estudos aos sete anos de idade no Grupo Escolar do Jardim Silvana, atual Escola Estadual Valdomiro Silveira, concluindo o ginasial na EE Homero Thon. Depois, ingressei no SENAI, onde me formei torneiro mecânico, profissão que exerci por vinte e cinco anos, em diversas fábricas da região do Grande ABC. Já adulto, cursei Ciências Sociais na Fundação Santo André e Pedagogia na UniABC, pós-graduei-me em Administração no Centro Universitário Santo André – UniA e em Gestão Pública na Universidade Municipal de São Caetano do Sul – USCS. Trabalhei 25 anos na indústria e mais 20 anos no serviço público, atuando na área de Educação Profissional e na Geração de Trabalho e Renda, nas prefeituras de Santo André e Diadema. Também trabalhei na Câmara Municipal de Santo André, na Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC e no Consórcio Intermunicipal Grande ABC.

Fale-nos sobre o seu livro recém-lançado.
“Prosa de peão” é um livro de crônicas. Eu costumo dizer que é um conjunto de histórias sobre o cotidiano dos trabalhadores. São textos que relatam conversa do dia a dia, fatos que, embora pareçam corriqueiros, são interessantes porque revelam como os trabalhadores conviviam nas fábricas do ABC, antes do processo de reestruturação produtiva se consolidar. Falo das brincadeiras, nos momentos de folga, das práticas profissionais e, principalmente, dos deslizes que cometíamos e como reagiam os companheiros. São histórias engraçadas, o que faz com que a leitura provoque risos e gargalhadas nos leitores. Algumas histórias eu fui protagonista, outras, assisti junto aos colegas de trabalho e, para que não se perdessem com o tempo, resolvi publicá-las. Nos relatos é possível perceber como eram as fábricas, alguns processos produtivos, a preparação das máquinas e o mais importante, o que os trabalhadores faziam enquanto as máquinas produziam. Também falo dos bastidores da atuação sindical, da comissão de fábrica, das reuniões com a empresa, enfim, do nosso dia a dia.

Fale-nos sobre seus outros livros.
Minha primeira publicação foi o livro “Glossário da reestruturação produtiva – A linguagem do trabalho”, que traz a definição de vários termos utilizados no processo de reestruturação das indústrias, tratando de processo produtivo e das formas de gerenciamento da produção. O segundo é um livro de poemas intitulado “Poemas para Maria”, que traz uma série de poemas dedicados à Maria Luiza Perondini Garofolo de Almeida, minha esposa. Foi uma forma que encontrei para homenageá-la e perpetuar nosso amor. O terceiro livro é “O Barro da Rua Biguá”, no qual conto a história de um lugar (Vila Progresso, em Santo André) em que, apesar de estarmos na segunda metade do século XX, características do século XIX estavam presentes na vida das pessoas. Tomando como ponto de partida a história de um menino (eu) que só queria ver a rua de sua casa asfaltada, comento o processo educacional em curso na década de sessenta, as disciplinas estudadas e as abordagens praticadas pelos professores. Falo da falta de escolas, da construção do ginásio Valdomiro Silveira, da Chácara do Pezzolo, do asfaltamento das ruas de Vila Humaitá e Vila Progresso, das dificuldades enfrentadas pelas crianças pobres, dos conflitos sociais, das reivindicações vindas à tona nos anos setenta, do grupo de jovens na Igreja São Geraldo, novidade na Igreja Católica à época. Falo de moda, das músicas da época, dos bailinhos de garagem, dos ídolos e dos costumes dos jovens da periferia.

Fale-nos sobre a Coopacesso.
A Coopacesso é uma cooperativa cultural, composta por um grupo de pessoas que trabalha em diversos ramos de atividade e tem diversas formações culturais e educacionais, com um ideal em comum: incentivar a prática da leitura e da escrita. Trabalhamos com novos escritores, pessoas comuns, que desejam escrever e publicar um livro e se reuniram e criaram a cooperativa, para produzir, editar, publicar e comercializar livros, seus e de outros autores anônimos, além de realizar saraus poéticos, oficinas de criação de poesia e crônica e formação cultural.
Atualmente trabalhamos com os projetos Poemas da Cidade que consiste em reunir um grupo de poetas e poetisas que recebem profissionais para falar sobre a cidade e sobre a construção poética; e Crônicas da Cidade, cuja formação é sobre redação em prosa. Depois, cada participante escreve um poema ou crônica que é publicado em coletânea editada pela cooperativa. No momento, estamos montando uma sala de aula, para realizar um curso de inglês, reivindicação de nosso público, no bairro Guaraciaba, em Santo André.
A cooperativa filiou-se, recentemente, à Unisol Brasil, central de cooperativas, para conseguir inserir-se no movimento de Economia Solidária e, assim, melhorar suas possibilidades.
Por fim, consideramos que esse seja nosso trabalho: desengavetar sonhos, livros, histórias, memórias e culturas, que pareciam não ser possíveis de publicação e realização, mas que agora são.
Já publicamos dezenove livros e estamos elaborando outros dois neste momento. O trabalho da cooperativa pode ser encontrado no site www.coopacesso.org.

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